Produção Cultural

No início de 2011, mesmo período em que iniciava o mestrado em Ciências Sociais (Antropologia), criei o CLIC (Culturas, Linguagens e Interfaces Contemporâneas), um empreendimento sociocultural especializado na promoção, organização e produção de eventos acadêmicos e culturais e cursos livres.

Era um momento de muito gás e muito tempo livre para poder planejar e cuidar de diversas iniciativas e atividades. “Os passados mudam de acordo com a trajetória do viajante”, de fato. Mas as lembranças do CLIC (em seu “auge”) ainda hoje perduram e me fazem lembrar de que ainda é possível haver atividades e programações inovadoras na capital paraense.

De 2011 a 2013, o CLIC foi também um evento com temática inovadora no país. Mesmo que existissem até então no Brasil três Programas de Pós Graduação em Culturas Contemporâneas (na UFMT, UFBA e UFRJ), vários cursos livres, iniciativas e muitos pesquisadores e interessados em tal temática, foi justamente em Belém do Pará, na Amazônia, que foi criado um evento para observar melhor estas culturas, suas linguagens e interfaces. Em 2011, o encontro foi realizado em setembro, na Universidade Federal do Pará; em 2012, na Saraiva MegaStore e, em 2013, no Instituto de Artes do Pará, atualmente “Casa das Artes”.

Ao longo de quatro anos, o CLIC desenvolveu-se e realizou diversos eventos acadêmicos e culturais, como, em 2012, o CLIC em Cena, que resultou no Festival de Audiovisual de Belém; a Semana do Livro Nacional, o V Encontro Nacional de Pesquisadores em Comunicação e Música – V Musicom, além de diversos cursos, oficinas, bate-papos e outras atividades.

Tivemos duas sedes: uma na (também não mais existente) Casa da Cultura Digital Pará, na Apinagés, bairro de Batista Campos e, em seguida, na Escola On, avenida Presidente Vargas, centro de Belém.

Apesar da grande quantidade de atividades e eventos feitos, um terminou ganhando “vida própria” e ainda permanece sendo realizado. Refiro-me ao  Festival de Audiovisual de Belém – FAB, criado em 2013.

Este ano, em sua quinta edição, o FAB apresenta somente mostras não competitivas, divididas em cinco categorias “Curta Metragem”; “Videoclipe”; “Videoarte e vídeo experimental”; “Vídeo-minuto” e “Crítica de Audiovisual”.

Amplo e diversificado, o FAB 2018 objetiva seguir incentivando a produção técnica e conceitual dos interessados em tal área e visa criar/ se constituir em um ponto de encontro em que público e produtores de audiovisual possam dialogar e trocar experiências. Além disso, o festival pretende colaborar para inserir de vez Belém na geografia nacional da produção audiovisual contemporânea, levando em conta a diversidade de possibilidades de criação e demonstrando isso na capital paraense.

As inscrições são gratuitas e a programação do Festival contará ainda com o Seminário de Audiovisual de Belém, encontro gratuito que apresentará discussões sobre diversos temas ligados à produção audiovisual contemporânea.

Em 2016, por conta do aniversário de 400 anos de Belém, o FAB também promoveu a “Mostra Belém-Para-Brasil”, que levou obras audiovisuais para o Rio do Janeiro. A ideia é que este ano outras cidades recebam a programação.