Pesquisa e blog paraenses discutem ‘Marca Amazônia’

Quando você pensa em Amazônia, o que vem à sua mente? Um “Eldorado” a ser explorado? Áreas verdes? Animais selvagens? Populações indígenas? Confusão urbana? Possivelmente você tem uma concepção, resultado de seu imaginário ou mesmo experiência.

Aprofundando a questão, e a Mídia, como veicula a Amazônia? Será que repleta de estereótipos ou de um modo mais coerente com a(s) sua(s) realidade(s) contemporânea(s)? Mais que isso: será que a Amazônia acaba então virando uma certa “Marca”, podendo ser veiculada e mesmo consumida?

Atentas a estas e outras discussões, três estudantes da Faculdade Paraense de Ensino (Fapen), de Belém, criaram o blog Marca Amazônia, criado diante da necessidade de maior acesso aos conteúdos sobre o tema, seja pelo escasso acervo reservado ao assunto e, principalmente, pela “pulverização” das pesquisas e produtos.

Conheça e siga o blog Marca Amazônia. Arte: Paulo Dias.

O blog tem como objetivo geral contribuir para discussão sobre a possível “Marca Amazônia” (A Marca Amazônia: uma promessa publicitária para fidelização de consumidores nos mercados globais, Otacílio Amaral Filho, 2008), problematizando esta possível “marca” bem como o lugar de fala “Amazônia”, não a partir de produtos e da publicidade, mas sim por meio de pessoas e seus conteúdos veiculados nas redes sociais.

Segundo Daniely Cabral, a ideia de criar o blog surgiu em 2016, após as estudantes terem decidido qual seria o tema de TCC, que está sendo desenvolvido. “O objetivo deste projeto é fazer um estudo de caso sobre a Marca Amazônia e mostrar como ela é entendida e vista por diversos pesquisadores. Assim, a criação do blog como ferramenta de divulgação do conteúdo nasce da necessidade de se discutir, de forma virtual e em um mesmo espaço a ‘Marca Amazônia’”, explica.

É ainda a jovem que afirma que “de início, o blog seria apenas para divulgar nossa pesquisa, mas com o passar do tempo percebemos a oportunidade de ampliar nossos horizontes, visto que houve grande dificuldade em encontrar conteúdo que fizesse referência à temática e sua representação no mundo digital. Dessa forma, ampliar e compartilhar a nossa visão sobre o tema seria desafiador ao mesmo tempo em que recompensador, pois estaríamos levando aos internautas conteúdo de qualidade e apresentando uma Amazônia pouco discutida”, esclarece.

Assim, nasce o Blog Marca Amazônia, que conta com template simples e de fácil manuseio, que apresenta, além da pesquisa das jovens, informações relacionado ao tema e conteúdo exclusivo (como as entrevistas cedidas com pesquisadores) aos internautas.

“MARCA AMAZÔNIA”?

Para Elen Silva, “a escolha do tema a ser pesquisado foi algo que surgiu depois de uma conversa com o nosso orientador, e a curiosidade de pesquisar esse universo da Amazônia nos fez ver vertentes que não sabíamos sobre a região. No início das pesquisas nossas opiniões sobre o que era a Amazônia era igual a de todos, superfície verde, pulmão do mundo, mata, animais, entre outros”, afirma.

“A pesquisa foi nos ensinado que ela (a Amazônia) não é somente isso que nos ensinam desde o fundamental e, após conhecer mais sobre o tema, as opiniões foram mudando até porque ‘moramos nessa floresta’, mas por conta desses conceitos preestabelecidos esquecemos por completo”, destaco

Aproximar pesquisadores, em especial de Comunicação, que pensam, discutem e produzem conteúdo sobre a Amazônia contemporânea. Participe do grupo Pesquisadores em Amazônia, Comunicação e Interfaces

 

“A pesquisa sobre o olhar das pessoas, como elas veem a Amazônia só deixou mais claro o quão invisível é a Amazônia, porque ela não é somente mato e animais, existe toda uma realidade urbana que não é enfatizada. Nossa pesquisa se torna importante por que queremos de certa forma desmistificar esse olhar que o mundo tem sobre a Amazônia, tirar essa ideia de invisibilidade urbana, queremos mostrar que aqui existe sim as florestas mas que também existe pessoas, cidades, que as pessoas que moram aqui não são só índios, temos ruas, carros, prédios assim como as demais cidades do brasil e do mundo, que além de mata somos uma Amazônia tecnológica e urbana também”, sintetiza Elen.

RESULTADOS

Nos últimos meses, as estudantes tiveram três trabalhos aprovados no Congresso Regional de Ciências da Comunicação. Segundo Camila Braga, “ter participado do Intercom Norte, em Manaus, foi um experiência ímpar, e o melhor de tudo foi poder defender os nossos 3 projetos aprovados e mostrá-los para outras pessoas.

Os trabalhos aprovados foram: “na categoria Intercom Jr., “A Amazônia (ainda) é uma marca? “Marca Amazônia”, representações e mudanças de paradigmas”, onde abordamos a ideia de que Amazônia não é só mata, animais e água; ela ultrapassa essa visão restrita, podendo ser analisada por meio de pessoas, internet e audiovisual. Os outros dois trabalhos foram no EXPOCOM, “uma na categoria Filme Publicitário (avulso), “Quando tudo termina é que na verdade começa: o Cosanostra Caffé, de Belém do Pará”, e outro foi na categoria Blog (avulso), “Blog “Marca Amazônia”: comunicação, pesquisa e reflexões em poucos clicks”.

“Acredito que foi um projeto muito gratificante já que estamos dando continuidade a ele e esperamos quem sabe um dia ser de certa forma referência quando a temática for Amazônia”, finaliza.

Publicado originalmente no Digestivo Cultural em 14 de julho de 2017

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