Livro “Michel Foucault e a Antropologia” será lançado em Belém

Imagem: Reprodução
Imagem: Reprodução

A obra de Michel Foucault (1926-1984), há tempos, vem construindo uma complexa relação com as ciências humanas, em especial com a Antropologia. Alguns de seus conceitos entraram no cotidiano do empreendimento antropológico para serem utilizados como verdadeiras “palavras de ordem” ao ponto de até mesmo tornarem-se “lugares comuns”; não raramente é possível encontrar elogios, enfrentamentos e reutilizações conceituais ora na relação de Foucault com a Antropologia, ora da Antropologia em relação à Foucault.

Neste sentido, novas perspectivas, discussões e reflexões são fundamentais como, por exemplo, as presentes no livro Michel Foucault e a Antropologia, de Heraldo de Cristo Miranda, professor e doutor em Ciências Sociais, que será lançado na próxima terça-feira (23), no Sesc Boulevard, em Belém.

Imagem: Divulgação
Imagem: Divulgação

A obra é resultado do doutorado do autor no Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais da Universidade Federal do Pará (UFPA), cuja tese foi defendida em 2012, sob a orientação do Prof. Dr. Ernani Pinheiro Chaves, que assina a apresentação do livro. Durante a produção, foi necessário recorrer à produção original do autor na França, não disponível no Brasil à época.

O objetivo era realizar uma pesquisa na antropologia francesa quanto à presença de Michel Foucault em seus estudos e analisar a recepção das teses foucaultianas na antropologia francesa contemporânea, a partir de uma pesquisa nos Arquivos Foucault, presentes no Institut Mémoire de l’Edition Contemporaine (IMEC) em Caen, na Normandia, França. Foi aí, então, que entre outubro de 2010 e setembro 2011, o autor realizou estágio doutoral na École des Hautes Études en Sciences Sociales (EHESS), no Institut Marcel Mauss, sob a orientação do Prof. Dr. Daniel Cefai, ampliando assim não somente as fontes de pesquisa como as possibilidades de discussões entre Foucault e a Antropologia.

No livro, que propõe uma crítica que ultrapassa a apologia ingênua ou o desprezo analítico, três temas são destacados: a etnologia do presente, o poder e a escrita antropológica, que promovem a discussão de duas tradições, a francesa e a norte-americana, bem como uma série de diálogos com os antropólogos mais contemporâneos, herdeiros ou não de Claude Lévi-Strauss e Clifford Geertz, tornando assim a obra importante e necessária seja para iniciantes, estudantes, professores ou ainda pesquisadores com produções de maior fôlego.

“Uma das contribuições deste livro, penso, é quanto a recepção de Foucault no Brasil e, por que não, o prosseguimento de uma tradição local desta recepção: Benedito Nunes e o encontro com Foucault em sua passagem por Belém da década de 1970, o livro de Ernani Chaves, publicado na década de 1980, intitulado Foucault e a Psicanálise, entre outros. Sem o brilhantismo dos dois citados, tento me inserir nesta tradição”, destaca Heraldo. Ainda de acordo com ele, “o livro pode contribuir, frente ao crescente interesse por Foucault no Brasil, a uma problematização acerca da apropriação de sua extensa obra nas diversas áreas do conhecimento, em especial o campo das ciências humanas, ou seja, tenta contribuir – e talvez aumentar ainda mais – as polêmicas deste debate”, explica.

José Carlos de Castro, Michel Foucault e Benedito Nunes em Mosqueiro, em 1976
José Carlos de Castro, Michel Foucault e Benedito Nunes em Mosqueiro, em 1976. Saiba mais sobre a presença do filósofo em Belém clicando aqui.

Tal debate muitas vezes parte da relutância de alguns pesquisadores em utilizarem a obra de Foucault. Sobre isto, Miranda esclarece que “O próprio Foucault diz: ‘Eu não sou um pesquisador em Ciências Sociais’.  Não há em Foucault um projeto etnológico, mas antes um real interesse seu pelas reflexões antropológicos e ao mesmo tempo, um interesse, por parte dos antropólogos, por sua obra”, finaliza.

Bate-papo marca lançamento

O lançamento do livro, além de contar com sessão de autógrafos do autor, terá ainda o bate-papo “Tensões e prazeres do pesquisar: experiências nas ciências humanas”, com a participação do Prof. Dr. Ernani Chaves e o Prof. Dr. Fabiano Gontijo e mediação do próprio Heraldo de Cristo Miranda.

A atividade propõe uma troca coletiva acerca das experiências de pesquisadores das ciências humanas, especificamente das áreas da antropologia e filosofia, através da criação de um espaço de diálogo em torno do “fazer-se pesquisador”. Trata-se de um momento para dialogar sobre esse construir/desconstruir do lugar dos sujeitos junto as pesquisas institucionais e assim promover um conjunto de trocas de experiências, discussão e divulgação de conhecimentos entre todos.

O autor

Heraldo de Cristo Miranda é graduado em Ciências Sociais pela Universidade Federal do Pará (2000); mestre em Sociologia pela UFPA com a dissertação Desencantamento e Transcendência: uma Sociologia da Modernidade na Obra de Dostoiévski, sob orientação da Prof. Dra. Katia Marly Leite Mendonça, e doutor pelo Programa de Pós-graduação em Ciências Sociais, Universidade Federal do Pará, com a tese de intitulada Michel Foucault e a Antropologia, sob orientação do Prof. Dr. Ernani Pinheiro Chaves.

Entre 2010 e 2011, realizou estágio doutoral na École des Hautes Études em Sciences Sociales (EHESS) de Paris, junto ao Institut Marcel Mauss, sob a orientação do Prof. Dr. Daniel Cëfai. Atualmente colabora com revistas como Recherches en psychanalyse e Revista Aurora de Filosofia e é professor no Instituto Federal do Pará (IFPA).

Serviço

Lançamento do livro Michel Foucault e a Antropologia (Editora Prismas, Curitiba-PR), de Heraldo de Cristo Miranda e Bate-papo “Tensões e prazeres do pesquisar: experiências nas ciências humanas”, com a participação do Prof. Dr. Ernani Chaves e o Prof. Dr. Fabiano Gontijo e mediação do Prof. Dr. Heraldo de Cristo Miranda.

Quando? 23 de agosto, 19h

Onde? Centro Cultural Sesc Boulevard

Apoio: Sesc, IFPA, Festival de Audiovisual de Belém

Deixe uma resposta