Quase quatro anos depois… Entrevista: Michel Melamed

Domingo, 12 de julho de 2015. Faz tempo, não é mesmo? Contudo, o que é o tempo se não uma forma de organizar narrativas? Santo Agostinho já indagara: ‘o que é, por conseguinte, o tempo? Se ninguém me perguntar, eu sei; se o quiser explicar a quem me fizer a pergunta, já não sei’.

Divagações iniciais à parte, foi na data que abre este texto que conheci e entrevistei Michel Melamed, poeta, ator, apresentador e tantas outras definições que talvez nem ele mesmo desejasse ver aqui – ou sim -, pessoa que, mesmo à distância, tem grande importância em minha vida.

Foi em sua voz que pela primeira vez ouvi Paulo Leminski, em pequenos inserts/ comerciais na TV Brasil, talvez em 2005, 2006. Era lá também que ele apresentava o ‘Comentário Geral’, em parceria com Luiza Sarmento, programa que assistia sempre nas noites de sábado.

Foi observando suas entrevistas, já em outro programa, o ‘Recorte Cultural’, também na TV Brasil, que vi um modo leve, instigante e esteticamente mais agradável de pensar em tal gênero jornalístico – e de tudo mais. Uma década depois, curiosamente, em 2016, pude assistir o último dia – literalmente o dia todo! – de gravações de ‘Bipolar Show’, do Canal Brasil, no Rio de Janeiro. Pude ver Melamed entrevistando Matheus Nachtergaele e Letícia Colin, por exemplo. 

Tal liberdade e mesmo “misturas” que ele apresentava ainda na TV Brasil colaboraram para instigar a pensar em ações mais provocativas, que misturassem perspectivas culturais e além sobre alguns temas, algo que tentei fazer e acredito que consegui junto com outros amigos durante as atividades do Culturas, Linguagens e Interfaces Contemporâneas (CLIC), entre 2011 e 2016, que originou o Festival de Audiovisual de Belém (FAB), em 2013.

Por sinal, foi ele o primeiro convidado do FAB. Ainda que sempre muito solícito, não conseguimos acordar uma data para vir em nenhum das quatro edições do festival, entre 2013 e 2016. No entanto, tenho certeza que um dia ele virá.

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Feita esta introdução (parabéns por ter chegado até aqui!), voltemos ao dia 12 de julho, um domingo ensolarado na capital fluminense. Bom, foi nesta tarde/ noite, na Gávea, em que pude conversar pela primeira vez com Melamed sobre cultura, arte, estética, sociedade… Vida.

Por anos pensei em editar e mesmo transcrever a entrevista. Sua riqueza em relação à dupla fundamental conteúdo e forma, no entanto, ficaria comprometida e diminuiria até mesmo a importância, por exemplo, da participação do meu grande amigo colombiano Diego Andrés León Blanco, que me acompanhou nesta empreitada.

Bom, é por isto tudo que depois de quase 4 anos, mesmo sabendo que praticamente ninguém terá interesse em (me) ouvir (mas ouvir o entrevistado,  sim!), que agora disponibilizo o áudio da conversa. Houve muito mais, no entanto, que não foi gravado. Quem encarar o desafio de acompanhar este bate-papo de anos atrás, porém atual, aproveite!

Enderson Oliveira

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