Entre sons e cenas, Teletema mostra força e importância das trilhas de novelas

teletemaMúsica e novela. A relação entre dois dos mais ricos produtos culturais do país – ou mesmo “paixões nacionais” – é o tema central do livro “Teletema”, lançado em novembro de 2014, que apresenta uma análise singular da trajetória da música popular brasileira em novelas, seriados e minisséries.
Escrito pelo roteirista e romancista Vincent Villari e pelo jornalista, roteirista e professor Guilherme Bryan, a obra é resultado de um projeto ousado que já dura mais de uma década. Tive a honra de conhecer Guilherme em 2012, por intermédio de uma amiga.
Aproveitando uma ida a São Paulo, o entrevistei para minha pesquisa de mestrado, sobre o rock em Belém entre 1982 e 1993. Em 2013, “o trouxe” para Belém para participar como um dos convidados na primeira edição do Festival de Audiovisual de Belém. Bryan é uma das referencias necessárias ao se falar de música – na verdade, arte e cultura como um todo – sobre os anos 1980 e videoclipes. Incansável, disciplinado e com um acervo mnemônico admirável, o pesquisador produziu “Quem tem um sonho não dança – Cultura Jovem Brasileira dos anos 80”, rico material com mais de 500 páginas resultado de sua… Graduação. Isso mesmo. O livro é resultado do Trabalho de Conclusão de Curso de Guilherme, o famoso “TCC”. Se “somente” seu “TCC” já teve este fôlego, imaginem uma pesquisa feita em parceria e que durou mais de uma década, como “Teletema”.

A obra

Vincent e Guilherme
A parceria para a produção de Teletema entre Vincent e Guilherme durou mais de 10 anos. Foto: Divulgação/Roberto Stelzer.

No primeiro volume de Teletema, que custa R$69,00, os autores comentam todas as trilhas musicais de produções teledramatúrgicas que já foram comercializadas no Brasil entre 1964 e 1989. Através de detalhado inventário, explicam também de que maneira as canções foram importantes para estabelecer a teledramaturgia como um dos maiores ícones da cultura pop brasileira, com qualidades e apuro técnico reconhecidos mundo afora; e como essa produção, realizada em ritmo industrial, se tornou uma importante vitrine para os artistas da música brasileira e para o sucesso de uma música.
Apesar de estar ricamente ilustrado com mais de 300 imagens de capas de discos, o livro não é um “almanaque”. Para sua produção foram realizadas também cerca 130 entrevistas, com personalidades como Fafá de Belém, Nelson Motta, Guto Graça Mello, Roberto Menescal, Wando, Gal Costa, Erasmo Carlos, Toquinho, Paulinho da Viola, Rita Lee, Ney Matogrosso, Lulu Santos, Djavan, Gilberto Braga, Silvio de Abreu, Zizi Possi, Nana Caymmi, entre tantos outros, que estiveram de algum modo envolvidos com as trilhas musicais das novelas.
A escolha dos autores pela expressão “trilhas musicais” – e não “trilhas sonoras”, observemos – não é aleatória, já que esta expressão abrange também aspectos de sonoplastia e música incidental. Além de fichas técnicas resumidas, Bryan e Villari explicam a trama de cada obra e mostram como foram criadas ou escolhidas suas respectivas seleções musicais e de que forma estas funcionaram e repercutiram.
Cerca de 220 obras da teledramaturgia foram abordadas no primeiro volume e cada parágrafo conta histórias que revelam os bastidores da criação artística, momento histórico e conceito das obras, mostrando que a relação entre teledramaturgia e música vai bem além dos minutos de uma novela e já faz parte também de outra trilha: a da vida de cada pessoa.

Enderson Oliveira, com informações da assessoria

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